Em meio a uma campanha eleitoral intensa pelo resgate do Brasil, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro reservou algumas horas deste sábado (4) para visitar Filipe Martins na prisão, em solidariedade à situação de “injustiça” enfrentada pelo ex-assessor de assuntos internacionais do Presidente Jair Bolsonaro. Martins está preso na cadeia pública de Ponta Grossa, no interior do Paraná, cumprindo condenação dada pela Primeira Turma do STF a 21 anos de prisão em processo relatado por Alexandre de Moraes. Também estiveram presentes o candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro (PL), a candidata a deputada federal Aline Sleutjes (PL), o candidato ao Senado Filipe Barros (PL) e o advogado de Filipe Martins, Jeffrey Chiquini, que também é candidato a deputado federal pelo PL do Paraná.
Ao sair da visita, que durou cerca de uma hora e meia, Flávio Bolsonaro afirmou que a prisão de Martins é completamente injusta e simboliza graves violações dos direitos e reiterados abusos das decisões de Moraes. “Vim dar um abraço em um amigo muito importante para nós que está preso aqui acusado de ter feito uma minuta que nunca existiu, que ninguém nunca viu, e acabou sendo usada para sua condenação”, criticou Flávio que, em seguida, relembrou o atual escândalo envolvendo Moraes no caso Vorcaro.
“O próprio Alexandre de Moraes é flagrado editando o contrato da sua esposa com um investigado que é o Vorcaro e nada acontece com ele. É alguém que usou o inquérito de fake news para perseguir adversários políticos e que hoje utiliza o mesmo modus operandi com que atuou com várias pessoas de direita, contra o ministro André Mendonça”, disse Flávio. “Hoje nós temos a convicção clara para o Brasil inteiro ver o que é o gabinete do ministro Alexandre de Moraes: é o gabinete da perseguição”.
Sobre o encontro com Martins, Flávio contou que foi abordada sua inocência e relembrados alguns momentos vividos junto ao presidente Bolsonaro, além das dificuldades enfrentadas no cárcere pela distância da família. “Mas ele também está acreditando muito na eleição de Flávio Bolsonaro para poder mudar essa história triste que o Brasil está vivendo hoje, com tanta perseguição, com tantos abusos, com tantos excessos, pessoas achando que são donas do Brasil e, a todo momento, desrespeitam a Constituição, fazem o que está na sua cabeça como se não fossem pagar pelos seus atos criminosos em algum momento”, disse Flávio.
Ao lado do candidato ao governo do Paraná, Flávio disse que “Sérgio Moro continua sendo um símbolo de combate à corrupção” e contribuirá muito na implementação do plano de segurança quando for eleito presidente da República. “O Moro faz parte do nosso time aqui no Paraná. Tenho certeza que vai ser um grande governador. E com Flávio Bolsonaro na presidência, o povo do Paraná pode ter certeza que vai ter investimento aqui em infraestrutura, em educação de qualidade, na saúde pública, que vai ser padrão Einstein”.
Ao abordar a necessária recuperação do sistema prisional, Flávio disse que “é preciso valorizar sobretudo os agentes que fazem esse trabalho excepcional, são pessoas que lidam com situações difíceis todos os dias”. Flávio também detalhou as ações propostas dentro do plano de segurança para um Brasil Sem Medo. “Temos em nosso plano de governo a criação de mais de meio milhão de vagas no sistema penitenciário. Mudança na legislação penal para que, desde líderes de facções criminosas, como PCC, Comando Vermelho, milícias, que nós vamos declarar grupos terroristas a partir do ano que vem. Essas pessoas vão ficar presas muito mais tempo. Ladrão de celular vai começar com oito anos a pena mínima e vai ficar preso. Então, a gente vai proteger a sociedade para que o trabalhador, o cidadão honesto desse país possa voltar a andar com segurança nas ruas. Quem tem que ter medo de andar nas ruas é o bandido; e assim que vai ser a partir de 2027”, detalhou Flávio, deixando um recado contundente: “marginais de organizações narcoterroristas: metam o pé do Brasil até o final do ano porque vocês serão presos ou neutralizados pela nossa polícia”.
O caso Filipe Martins
A perseguição de Alexandre de Moraes a Martins, sob alegação de sua participação na suposta trama de golpe após as eleições presidenciais de 2022, já dura anos. Em fevereiro de 2024, o ministro do STF determinou a prisão do ex-assessor de Jair Bolsonaro, argumentando que, em dezembro de 2022, ele havia viajado aos Estados Unidos em tentativa de fuga da Justiça brasileira. Recentemente, veio a público uma decisão da Justiça Federal americana concluindo que o registro de imigração americano utilizado por Moraes para embasar o pedido de prisão preventiva era fraudulento, e foi determinada a investigação sobre sua origem. Portanto, Martins permaneceu preso preventivamente por quase seis meses em 2024 com base em um documento comprovadamente falso. Martins foi condenado a 21 anos e seis meses de prisão pela Primeira Turma do STF.