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Flávio denuncia uso eleitoral da Rádio Nacional com dinheiro público e pede cassação de Lula e Alckmin ao TSE

Nova ação aponta 36 episódios de favorecimento eleitoral para Lula na emissora federal, além de ataques a Flávio Bolsonaro na reta final do segundo turno; presidente da EBC e apresentador também são investigados

Foto: Comunicação Oficial / Campanha Flávio Bolsonaro
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O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) ingressou, nesta sexta-feira (23), com uma nova Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Lula (PT), o vice Geraldo Alckmin e dois responsáveis pela programação da Rádio Nacional. A ação denuncia o suposto uso da estrutura de comunicação pública federal, financiada com recursos dos contribuintes, para favorecer a campanha de reeleição de Lula e atacar seu adversário político.

A representação pede a cassação do registro ou diploma da chapa Lula-Alckmin, a declaração de inelegibilidade dos responsáveis, conforme a participação de cada um, e a aplicação de multas por condutas vedadas.

Segundo a petição, assinada pela advogada Maria Cláudia Bucchianeri, o monitoramento da Rádio Nacional identificou 36 trechos de programação, entre 20 de agosto e 15 de outubro, com manifestações favoráveis a Lula ou críticas a Flávio Bolsonaro. Desse total, 12 exaltariam o presidente e medidas de seu governo, enquanto outros 24 apresentariam comentários depreciativos sobre o candidato do PL.

O episódio mais grave apontado pela ação ocorreu no dia 20 de outubro, apenas cinco dias antes do segundo turno. Durante o programa Alô Alô Brasil, o apresentador Agostinho Teixeira teria utilizado três blocos para divulgar realizações do governo Lula, abordar o pagamento do Bolsa Família e reproduzir acusações contra Flávio Bolsonaro, inclusive com temas semelhantes aos utilizados na propaganda eleitoral petista.

Bolsa Família e ataques na reta final

Um dos principais pontos da denúncia é o uso do Bolsa Família como argumento eleitoral justamente durante o pagamento da folha de outubro.

Na transmissão, o apresentador chamou a atenção dos beneficiários para declarações atribuídas à equipe econômica de Flávio Bolsonaro e advertiu:

“Quem tem receio do que possa virar o Bolsa Família tem que ver direitinho.”

Em outro momento, após divulgar informações sobre a antecipação dos pagamentos do programa social pelo governo federal, passou a criticar declarações de Flávio Bolsonaro sobre políticas ambientais.

A petição também destaca que a Rádio Nacional reproduziu questionamentos sobre a abertura dos sigilos bancário e telefônico de Flávio e sobre supostos cortes de R$ 250 bilhões no orçamento federal, temas que, segundo a ação, coincidiam com peças da propaganda eleitoral de Lula.

Ao encerrar um dos blocos, o apresentador fez uma advertência direta aos ouvintes:

“Ninguém vai dizer que não sabia. Ninguém vai dizer que não foi alertado.”

Dois meses de programação sob suspeita

A denúncia sustenta que as manifestações não foram episódios isolados, mas parte de uma sequência de comentários durante a campanha presidencial.

Entre os xemplos apresentados estão declarações do comunicador afirmando que Lula seria “perito” em negociações políticas e que Flávio Bolsonaro teria “pipocado” ao desistir de um debate.

Em outra transmissão, o apresentador chegou a criticar a atuação da Justiça Eleitoral no caso do canal Exército do Lula, cuja retirada do ar havia sido questionada judicialmente.

Para a defesa de Flávio, o conjunto das manifestações indica que uma emissora pública federal teria ultrapassado os limites da cobertura jornalística e passado a atuar em benefício de uma candidatura.

Além de Lula e Alckmin, a ação inclui a presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, e o apresentador Agostinho Teixeira.

A petição destaca que a EBC é mantida com recursos públicos e que sua direção é nomeada pelo presidente da República. A investigação pretende apurar a responsabilidade dos envolvidos pelo suposto uso indevido dos meios de comunicação social, abuso de poder político e prática de condutas vedadas pela legislação eleitoral.

A defesa de Flávio também solicita medidas urgentes para impedir que a programação pública seja utilizada em benefício de candidaturas até a realização do segundo turno, além da preservação das gravações.

A ação, registrada sob o número 0603358-07.2026.6.00.0000, foi distribuída à Corregedoria-Geral Eleitoral do TSE, sob responsabilidade do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.