A acusação sustentava que “Lula era o chefe” e ocupava posição central no sistema político que permitiu a indicação de dirigentes para setores estratégicos da Petrobras e a arrecadação de propinas pagas por empreiteiras interessadas nos contratos da estatal. Parte desses recursos, segundo o Ministério Público Federal, teria abastecido partidos políticos, campanhas eleitorais e vantagens destinadas a agentes públicos.
Ligações de Lula com esquema
O principal elo entre Lula e a Lava Jato era a empreiteira OAS. A empresa integrava o grupo de construtoras acusado de formar um cartel para dividir contratos e fraudar licitações da Petrobras. De acordo com a denúncia, a OAS teria mantido uma conta informal de propinas destinada ao Partido dos Trabalhadores e utilizado parte desses recursos para conceder benefícios pessoais a Lula.
O que Lula ganhou na Lava Jato
Os procuradores apontaram como principal vantagem um apartamento tríplex no Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral de São Paulo. Segundo a acusação, o imóvel teria sido reservado para Lula e reformado pela OAS, apesar de não estar formalmente registrado em seu nome.
A empreiteira também teria pago a decoração do apartamento e despesas relacionadas ao armazenamento do acervo presidencial. A força-tarefa calculou em aproximadamente R$ 3,7 milhões o valor total das supostas vantagens ilegais recebidas por Lula. A estimativa considerava a diferença relacionada à aquisição do imóvel, os gastos com reformas e móveis e cerca de R$ 1,3 milhão desembolsado pela OAS para manter objetos pessoais de Lula em depósitos de uma transportadora entre 2011 e 2016.
CONTA PROPINA DO PT E A LAVA JATO
Como elementos da acusação, foram apresentados documentos internos da OAS e da Bancoop que indicariam que o tríplex do Lula estava reservado e não poderia ser vendido a terceiros. Os investigadores também destacaram as visitas de Lula e da então primeira-dama Marisa Letícia ao imóvel, além da participação de executivos da empreiteira na definição das reformas.
Além do tríplex, a Lava Jato investigava outros possíveis benefícios concedidos a Lula por empresas envolvidas no petrolão. Entre eles estavam as reformas de um sítio em Atibaia, pagamentos feitos ao Instituto Lula, contratos de palestras e despesas com o armazenamento do acervo presidencial. Para os investigadores, esses fatos poderiam representar diferentes formas de repasse de vantagens indevidas.